saiu do carro e, num impulso que lhe parecia óbvio, não subiu as escadas que culminavam na porta de seu apartamento. Em vez disso, marchou até a calçada que lhe deu espaço para uma caminhada surda.
o corpo tomou a dianteira e, a cada passo, um naco de pensamento ficava para trás. os passos se aceleraram.
veja, não era o corpo que pedia espaço, mas essas tramas tecidas com diminutas verdades. era o pensamento que caminhava.
quando um fio de suor buscou um pedaço de seu olhos, já estava a quilômetros de tudo, naquelas vias desprovidas de luz ou sentido.
parou sem aviso prévio. jogou todo o seu corpo cansado para trás e, só então, agarrou o caminho de volta com o resto de amor que lhe restava.
pressentiu o caminho de volta. tudo o que ela precisava estava entre seus braços.
Para Emerson Luis