Aquele rio fujão tocou minha campainha esta manhã. Disse que estava de passagem, mas que gostaria de descansar os pés molhados antes de seguir viagem. Eu lhe ofereci um chá de alecrim e, meio sem jeito, fiz a pergunta.
Sentado na cadeira da cozinha, xícara supensa pelas duas mãos de rio, ele me olhou, olhos turvos:
- A trama do que já foi pode ser desfeita e refeita. Basta puxar o fio da memória.
Diante de meu ceticismo, deu sua palavra de rio e, depois de dizer adeus, deixou a casa pela janela da sala.